Isabel Noronha
Biografia
Isabel Noronha, nascida Isabel Helena Vieira Cordato de Noronha, no ano de 1964, em Maputo, é filha de pai goês e mãe moçambicana. Licenciada em Psicologia Clínica e Aconselhamento pelo Instituo Superior Politécnico Universitário (ISPU) e Mestre em Saúde Mental e Clínica Social pela Universidade de León, na Espanha, cursou disciplinas do doutoramento em Antropologia na Unicamp. É reconhecida como um nome fundamental do cinema moçambicano, tendo ingressado em 1984 no Instituto Nacional de Cinema. Foi Membro Fundador da primeira Cooperativa Independente de Vídeo (Coopimagem) e da Associação Moçambicana de Cineastas. Assinou vários filmes dos quais se destaca o belíssimo Ngwenya, o crocodilo, sobre a figura do pintor Malagantana, distinguido pelo Festival de Milão como melhor documentário de África, Ásia e América Latina. Desde 2008, com Vivian Altman (realizadora de animação), produz filmes que mesclam documentário e animação, o que possibilita a abordagem de temas problemáticos, sem exibir as faces das personagens.
Fonte: http://www.celp.fflch.usp.br/programaminicurso
Filmografia
2007 – Ngwenya, o crocodilo Melhor documentário de África, Ásia e América Latina pelo Festival de Milão
2008 – A mãe dos netos Prêmio Kuxa kanema, melhor filme moçambicano em 2008
2014 – Na dobra da capulana
2011 – Meninos de parte nenhuma
2011 – Espelho meu Primeiro prêmio no festival Documenta Madrid 2011 e Mujerdoc 2012
2010 – Salani
2008 – A trilogia das novas famílias Prêmio Kuxa kanema
2010 – Maciene, para além do sonho
2007 – Delfina, mulher-menina
2007 – Caminhos do ser
2007 – Ali, aleluia
2005 – Sonhos guardados Prêmio Kuxa kanema, melhor filme moçambicano em 2005
1995 – Mães da terra
1992 – Assim na cidade
1987 – Manjacaze
1987 – Hosi Katekissa Moçambique
Sinopses de alguns dos principais filmes de Isabel Noronha:
2023 – À Mesa da Unidade Popular, longa-metragem
Sinopse: A mesa da unidade popular, com as suas seis cadeiras, fazia parte da Mobília da Unidade Popular que, no período pós-independência socialista, o Estado moçambicano pretendia atribuir a todas as famílias. Um conceito que reunia a ideia socialista de igualdade, bem-estar e justiça social com o conceito de Unidade Nacional, pressuposto básico da FRELIMO para a Independência e desenvolvimento harmonioso do país. A Mesa da Unidade Popular voltou a ser neste filme, o lugar onde convergiram histórias, memórias e testemunhos. Nesta mesa voltamos a sentar-nos, para revisitar o processo de construção de uma nação e da utopia partilhada da construção de uma sociedade mais justa. Cada um de nós com sua identidade e sua cultura, a sua forma única e diversa de ser moçambicano.
Fonte: http://www.midas-filmes.pt/producao/produzidos/a-mesa-da-unidade-popular/
Tempo de duração: 86 min.
Gênero: Documentário
Realização e produção: Camilo de Sousa e Isabel Noronha
Assistente de realização: Joana Cunha Ferreira
Diretor de fotografia: Leonardo Simões
Montagem: Juliano Castro
Montagem e mistura de som: João Alves
Música: Joni Schwalbach
Direcção de produção: Joana Cunha Ferreira, Lara Sousa
Produtor: Pedro Borges
2022 – Sonhámos um país, longa-metragem
Sinopse: No início dos anos 70, Camilo de Sousa saiu de Lourenço Marques, Moçambique, andou pela Europa, juntou-se aos guerrilheiros da FRELIMO e tornou-se cineasta. Hoje, a viver em Portugal, regressa a Moçambique para reencontrar dois camaradas de armas. Com Aleixo Caindi e Julião Papalo, ele rememora tempos antigos, quando a alegria da libertação deu lugar aos tempos negros em que a procura do “homem novo” veio destruir os sonhos e as ilusões de um país.
Fonte: https://cinecartaz.publico.pt/filme/sonhamos-um-pais-401320
Tempo de duração: 70 min.
Gênero: Documentário
Realização e produção: Camilo de Sousa e Isabel Noronha
Imagem: Lara Sousa, Ricardo Borges & Isabel Noronha
Montagem: Orlando Mesquita & Juliano Castro
2019 – O Homem Novo, Entre a Luta os Afectos, longa-metragem
Sinopse: O filme transita entre a história e a memória do período que vai do final da Luta de Libertação Nacional aos primeiros anos do pós-Independência em Moçambique.
A partir do exílio e vivendo uma situação-limite, Camilo de Sousa, um conhecido intelectual e cineasta moçambicano, decide romper o silêncio feito de antigas lealdades à causa da Independência, que durante quatro décadas pesou sobre as versões alternativas à História oficial construída pelo partido FRELIMO. Camilo narra na primeira pessoa factos que viveu, em que participou, a que se opôs e que testemunhou.
Inicia, então, uma viagem de regresso ao seu país, em busca de antigos camaradas de luta com quem partilhou sonhos e afetos maiores que o movimento. Vai então em busca de antigos camaradas de luta que o receberam e integraram no processo da guerrilha e com quem partilhou sonhos e afetos maiores que o movimento. Reencontra então Caindi, Lúcia e Papalo, camaradas que o receberam e o integraram quer no processo da guerrilha, quer no seio da etnia maconde, a qual a maior parte dos antigos combatentes da FRELIMO pertence. Juntos revivem, discutem, 40 anos depois, episódios de uma difícil luta pela independência e construção do país, aprofundando a estreita relação de amizade que os une desde então, a despeito dos graves conflitos gerados no quotidiano do processo revolucionário que põem à prova, por vezes de forma extrema, estes afetos.
A história da construção de um país, narrada por três personagens na primeira pessoa, é um balanço de sonhos, ilusões e desilusões de uma geração que, um pouco por todo o mundo, mas particularmente em África, se libertava das potências coloniais. Cada uma das trajetórias, que neste filme se cruzam de uma forma tão bela quanto dramática, revela tanto os contornos desse sonho de um país novo, como os primeiros embates com a realidade e o conflito com uma ideologia que queria – muitas vezes à força – fazer de cada moçambicano um “homem novo”.
Fonte: https://ces.uc.pt/pt/agenda-noticias/agenda-de-eventos/2019/o-homem-novo-entre-a-luta-e-os-afectos-de-camilo
Tempo de duração: 120 min.
Gênero: Documentário
Realização e produção: Camilo de Sousa e Isabel Noronha
2014 – Na dobra da capulana
Sinopse: O documentário Na dobra da capulana, de Camilo de Sousa e Isabel Noronha é uma viagem ao 'reino' encantado da capulana, "que nos revelará um universo tipicamente feminino através de situações e narrativas de um grupo de mulheres que, tal como todas as mulheres moçambicanas, usam a capulana para diversos fins e lhe atribuem diversas significações”. Ao longo de 30 minutos, o documentário pretende “descobrir o sentido de ser mulher em diferentes épocas, ligadas entre si pelos traços, cores, padrões, desenhos, dizeres e nomes de cada capulana, na dobra da qual se esconde uma história única, singular”.
Fonte: http://www.fflc.org.mz/index.php/por/Eventos/2016/Abril/PROJECCAO-DOS-FILMES-ESPELHO-MEU-de-Isabel-Noronha-e-DOBRA-DA-CAPULANA-de-Camilo-de-Sousa-e-Isabel-Noronha
http://comunicacao.fflch.usp.br/node/4969
Tempo de duração: 30 min.
Gênero: Documentário
Realização e produção: Camilo de Sousa e Isabel Noronha
Fotografia: Karl Sousa
Edição e música: Orlando Mesquita
Som: Gabriel Mondlane
Animação: Vivian Altman
Produtor de campo: Momade Mussá
Iluminação: José Mahumane
2011 – Meninos de parte nenhuma
Sinopse: Situado no Moçambique de hoje, o filme narra as histórias de quatro crianças – Arnaldo, Fernando, Belucha e Lina – e a sua luta quotidiana por uma vida com dignidade e direitos.
Fontes: https://criancasatortoeadireitos.wordpress.com/2013/07/11/exibicao-do-filme-meninos-de-parte-nenhuma-hoje-no-centro-de-acolhimento-do-cidadao-da-assembleia-da-republica/
http://amnistia.pt/index.php/noticias/eventos/1435-meninos-de-parte-nenhuma
Tempo de duração: 48 min.
Realização e produção: Isabel Noronha e Vivian Altman
2011 – Espelho meu
Sinopse: O filme Espelho meu, de Isabel Noronha, é um documentário que faz reflexão sobre a imagem da mulher representada em quatro países, designadamente: Moçambique, Espanha, Irão e Brasil, tendo como dispositivo cinematográfico comum o espelho, que é utilizado por cada uma das diferentes intervenientes de forma distinta para refletir a forma de ser da mulher em diferentes culturas e lugares do mundo. Teve, além da realização da moçambicana Isabel Noronha, as co-realizações de Firouzeh Khosrovani, do Irão; Irene Cardona, da Espanha; Vivian Altman, do Brasil. As quatro realizadoras, cuja relação com a imagem também é culturalmente vinculada ao seu lugar de pertença, questionam os estereótipos da mulher africana, iraniana, espanhola e brasileira, para concluir que a identidade se estabelece não só como pertença a um determinado grupo social, religioso ou cultural, mas também como uma forma de partilha de valores universais comuns.
Fonte: http://fflc.org.mz/index.php/eng/Eventos/2016/Abril/PROJECCAO-DOS-FILMES-ESPELHO-MEU-de-Isabel-Noronha-e-DOBRA-DA-CAPULANA-de-Camilo-de-Sousa-e-Isabel-Noronha
Tempo de duração: 55 min.
Produção e realização: Isabel Noronha
Co-realização: Firouzeh Khosrovani, Irene Cardona e Vivian Altman
Prêmio: Primeiro prêmio no festival Documenta Madrid 2011 e Mujerdoc 2012
2010 – Salani
Sinopse: O filme Salani (adeus) retrata a vivência de três adolescentes moçambicanos de 11, 16 e 17 anos que, forçados pela sua família ou na ilusão de encontrar melhores condições de vida, emigraram para a África do Sul. Numa fluente mistura entre o documentário e a animação, este filme revela os contornos da utilização da “tradição” por algumas famílias para encobrir a exploração das suas meninas, bem como os meandros do tráfico, exploração sexual e laboral, de que estes adolescentes pobres, ilegais e desprotegidos, se vêem facilmente reféns.
Fonte: https://dockanema.wordpress.com/2010/09/14/dia-15-quarta-feira/
Tempo de duração: 26 min.
Realização e produção: Isabel Noronha e Vivian Altman
2008 – A mãe dos netos
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Sinopse: Mãe dos netos é uma das inúmeras histórias resultantes do drama do HIV/AIDS em Moçambique que, inexoravelmente, vai rasgando o tecido familiar, criando um vazio de figuras adultas e deixando nas mãos dos idosos o cuidado de um sem número de crianças. Usando como técnica uma mistura de animação e documentário, este pequeno filme narra a história de Vovó Elisa, cujo filho e as respectivas oito esposas faleceram, deixando ao seu cuidado 14 crianças órfãs.
Realização: Isabel Noronha
Produtor: Camilo de Sousa
Produção: Ébano Multimedia
Tempo de duração: 7 min.
Prêmio: KUXA-KANEMA, do Fundo de Apoio à Cultura, melhor filme moçambicano em 2008.
Menção honrosa especial do júri no festival Terra di Tutti, Bolonha, Itália em 2010.
2007 – Ngwenya, o crocodilo
Sinopse:O filme aborda, com rara sensibilidade, temáticas ligadas à construção social e identitária da sociedade moçambicana. Mais do que um documentário sobre a vida e obra do pintor Malangatana, este filme é uma viagem ao universo de um homem que não só se tornou um mito, como criou, mais do que uma linguagem artística própria, uma verdadeira língua para escrever um mundo inscrito dentro de si.
Fonte: http://celp.fflch.usp.br/programaminicurso
Tempo de duração: 90 min.
Realização: Isabel Noronha
Produção: Ébano Multimedia.
Co-produção: Filmes de Fundo
Prêmio:Melhor documentário de África, Ásia e América Latina pelo festival de Milão)
Fonte: https://nucleodeusosdahistoriaufg.wordpress.com/2015/11/11/faculdade-de-artes-visuais-da-ufg-promove-exibicao-de-filme-mocambicano-e-debate-com-o-cineasta-e-produtor-camilo-de-sousa/
2007 – Trilogia das novas famílias
Sinopse: A Trilogia das novas famílias, conjunto de filmes sobre a AIDS em Moçambique, dirigido por Isabel Noronha, recebeu em 2008 o prêmio KUXA-KANEMA, único e conceituado prêmio para as Artes, do Fundo para o Desenvolvimento Artístico e Cultural de Moçambique - FUNDAC. Foram produzidos para o Fundo Desenvolvimento da Comunidade FDC. Trata-se de um conjunto de três curtas-metragens documentais com a intenção de alertar sobre a problemática da desestruturação do tecido sócio-familiar em Moçambique, em consequência do HIV/ AIDS que, apesar de ser uma realidade cada vez mais alarmante, passa muitas vezes despercebida no mundo inteiro, inclusive no Brasil. Os três filmes procuram dar voz a crianças órfãs da AIDS, que após a morte dos seus pais passam a viver sozinhas, sem adultos, naquilo que constitui, hoje em dia, modelo familiar em Moçambique, onde esta problemática afeta cerca de 1.800.000 crianças.
Tempo de duração: 45 min.
Direção e realização: Isabel Noronha
Produção: Ébano Multimedia, FDC, Moçambique
Prêmio: Kuxa-Kanema, melhor filme moçambicano de 2017